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GRANDE ORIENTE
DO BRASIL
Emissão:
24-8-1973
Embora
tenha, a Maçonaria brasileira, se iniciado em 1797 com a Loja Cavaleiros da
Luz, criada na povoação da Barra, em Salvador, Bahia, e ainda com a Loja
União, em 1800, sucedida pela Loja Reunião em 1802, no Rio de Janeiro, só em
1822, quando a campanha pela independência do Brasil se tornava mais
intensa, é que iria ser criada sua primeira Obediência, com Jurisdição
nacional, exatamente com a incumbência de levar a cabo o processo de
emancipação política do país.
Criado a 17 de junho de 1822, por três Lojas do Rio de Janeiro – a Comércios
e Artes na Idade do Ouro e mais a União e Tranquilidade e a Esperança de
Niterói, resultantes da divisão da primeira – O Grande Oriente Brasileiro
teve, como seus primeiros mandatários José Bonifácio de Andrada e Silva,
ministro do Reino e de Estrangeiros e Joaquim Gonçalves Ledo, Primeiro
Vigilante. A 4 de outubro do mesmo ano, já após a declaração de
independência de 7 de setembro, José Bonifácio foi substituído pelo então
príncipe regente e, logo depois, Imperador D. Pedro I (Irmão Guatimozim).
Este, diante da instabilidade dos primeiros dias de nação independente e
considerando a rivalidade política entre os grupos de José Bonifácio e de
Gonçalves Ledo – que se destacava, ao lado de José Clemente Pereira e o
cônego Januário da Cunha Barbosa, como o principal líder dos maçons – mandou
suspender os trabalhos do Grande Oriente, a 25 de outubro de 1822.
Somente em novembro de 1831, após a abdicação de D. Pedro I – ocorrida a 7
de abril daquele ano – é que os trabalhos maçônicos retomaram força e vigor,
com a reinstalação da Obediência, sob o título de Grande Oriente do Brasil,
que nunca mais suspendeu as suas atividades.
Instalado no Palácio Maçônico do Lavradio, no Rio de Janeiro, a partir de
1842, e com Lojas em praticamente todas as províncias, o Grande Oriente do
Brasil logo se tornou um participante ativo em todas as grandes conquistas
sociais do povo brasileiro, fazendo com que sua História se confunda com a
própria História do Brasil Independente.
Através de homens de alto espírito público, colocados em arcas importantes
da atividade humana, principalmente em segmentos formadores de opinião, como
as Classes Liberais, o Jornalismo e as Forças Armadas – o Exército, mais
especificamente – O Grande Oriente do Brasil iria ter, a partir da metade do
século XIX, atuação marcante em diversas campanhas sociais e cívicas da
nação.
Assim, distinguiu-se na campanha pela extinção da escravatura negra no país,
obtendo leis que foram abatendo o escravagismo, paulatinamente; entre elas,
a “Lei Euzébio de Queiroz”, que extinguia o tráfico de escravos, em 1850, e
a “Lei Visconde do Rio Branco”, de 1871, que declarava livre as crianças
nascidas de escravas daí em diante. Euzébio de Queiroz foi maçom graduado e
membro do Supremo Conselho da Grau 33; o Visconde do Rio Branco, como chefe
de Gabinete Ministerial, foi Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil. O
trabalho maçônico só parou com a abolição da escravatura, a 13 de maio de
1888.
A Campanha republicana, que pretendia evitar um terceiro reinado no Brasil e
colocar o país na mesma situação das demais nações centro e sul americanas,
também contou com intenso trabalho maçônico de divulgação dos ideais da
República, nas Lojas e nos Clubes Republicanos, espalhados por todo o país.
Na hora final da campanha, quando a república foi implantada, ali estava um
maçom a liderar as tropas do Exército com seu prestígio: Marechal Deodoro da
Fonseca que viria a ser Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil.
Durante os primeiros quarenta anos da República – período denominado
“República Velha” – foi notória a participação do Grande Oriente do Brasil
na evolução política nacional, através de vários presidentes maçons, além de
Deodoro: Marechal Floriano Peixoto Moraes, Manoel Ferraz de Campos Salles,
Marechal Hermes da Fonseca, Nilo Peçanha, Wenceslau Brás e Washington Luís
Pereira de Souza.
Durante a 1ª Grande Guerra (1914 – 1918), o Grande Oriente do Brasil, a
partir de 1916, através de seu Grão-Mestre, Almirante Veríssimo José da
Costa, apoiava a entrada do Brasil no conflito, ao lado das nações amigas.
E, mesmo antes dessa entrada, que se deu em 1917, o Grande Oriente já
enviava contribuições financeiras à Maçonaria Francesa, destinadas ao
socorro das vítimas da guerra, como indica a correspondência, que, da
França, era enviada ao Grande Oriente do Brasil, na época.
Mesmo com uma cisão, que, surgida em 1927, originou as Grandes Lojas
Estaduais brasileiras, enfraquecendo, momentaneamente, o Grande Oriente do
Brasil, este continuou como ponta-de-lança da Maçonaria, em diversas
questões nacionais, como: anistia para presos políticos, durante períodos de
exceção, com estado de sítio, em alguns governos da República; a luta pela
redemocratização do país, que fora submetido, desde 1937, a uma ditadura,
que só terminaria em 1945; participação, através das Obediências Maçônicas
européias, na divulgação da doutrina democrática dos países aliados, na 2ª
Grande Guerra (1939 – 1945); participação no movimento que interrompeu a
escalada da extrema-esquerda no país, em 1964; combate ao posterior
desvirtuamento desse movimento, que gerou o regime autoritário longo demais;
luta pela anistia geral dos atingidos por esse movimento; trabalho pela
volta das eleições diretas, depois de um longo período de governantes
impostos ao país.
E, em 1983, investia na juventude, ao criar a sua máxima obra social; a Ação
Paramaçônica Juvenil, de âmbito nacional, destinada ao aperfeiçoamento
físico e intelectual dos jovens – de ambos os sexos, filhos ou não filhos de
maçons. Presente em Brasília – capital do país, desde 1960 – onde se
instalou em 1978, o Grande Oriente do Brasil tem, hoje, um patrimônio
considerável, e em diversos Estados, além do Rio de Janeiro, e na Capital
Federal, onde sua sede ocupa um edifício com 7.800 metros quadrados de área
construída.
Com aproximadamente 2.000 Lojas, cerca de 61.500 obreiros ativos
(31.12.1999), reconhecido por mais de 100 Obediências regulares do mundo, o
Grande Oriente do Brasil é, hoje, a maior Obediência Maçônica do mundo
latino e reconhecida como regular e legítima pela Grande Loja Unida da
Inglaterra, de acordo com os termos do Tratado de 1935.
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GRANDES LOJAS
BRASILEIRAS

Emissão:
18-7-1977
As primeiras Grandes Lojas do
Brasil foram fundadas por Carta Constitutiva expedida pelo Supremo Conselho
do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República
Federativa do Brasil a partir do ano de 1927, após o célebre manifesto de
Mário Behring, que declarava o território brasileiro maçonicamente
desocupado, abrindo as portas para o surgimento das Grandes Lojas.
As nove primeiras Grandes Lojas foram:
Amazonas – 22 de setembro de 1904 *
Bahia – 22 de maio de 1927
Rio De Janeiro – 22 de junho de 1927
São Paulo – 02 de julho de 1927
Pará – 28 de julho de 1927
Paraíba – 24 de agosto de 1927
Minas Gerais – 25 de setembro de 1927
Rio Grande Do Sul – 08 de janeiro de 1928
Ceará – 19 de março de 1928
Se por um lado, o sistema de Grandes Lojas autônomas, que contava com a
regularidade internacional, se mostrou ágil nas relações com as Lojas,
propiciando um acesso mais fácil do maçom às decisões do Grão-Mestre, por
outro, perdia representatividade em nível nacional.
Assim as Grandes Lojas ressentiam-se da necessidade de um consenso emanado
exclusivamente das Potências Simbólicas para garantir e atestar a verdadeira
Soberania.
As primeiras tentativas de criação de um pensamento nacional das Grandes
Lojas do Brasil ocorreram através de congressos nacionais, realizados sem
periodicidade e dependentes das ações de alguns Grão-Mestres, que tomassem a
si a atribuição de realizá-los.
Seguiam as Grandes Lojas enfrentando diversos obstáculos como na década de
trinta, com “O Estado Novo” de Vargas proibindo o funcionamento da
Maçonaria; a Segunda Grande Guerra na primeira metade da década de quarenta;
além de constante campanha difamatória pela Igreja Católica.
A par de todas as dificuldades se consolidava o pensamento de uma
confederação brasileira para a Maçonaria Simbólica e, em 1952, na cidade do
Rio de Janeiro, iniciou-se o ciclo das Mesas Redondas, que eram encontros
anuais, realizados nos diversos Estados da Federação, com temas previamente
organizados e com normas de funcionamento bem definidas, contando nesse
período com um total de 18 (dezoito) Grandes Lojas.
* Originalmente chamado Grande Oriente Estadual do Amazonas, em 24 de julho
de 1927 desligou-se integralmente do Grande Oriente do Brasil, unindo-se ao
sistema das Grandes Lojas e vindo posteriormente a mudar seu nome para
Grande Loja Maçônica do Amazonas.
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MAÇONARIA

Emissão:
20-8-2004
Maçonaria Símbolos
SABEDORIA, FORÇA E BELEZA:
As colunas representam a Sabedoria, que orienta no caminho da vida, a
Força, que anima e sustenta
o homem em todas as dificuldades, e a Beleza que adorna as ações, o
caráter e o espírito do maçom.
DESBASTANDO A PEDRA BRUTA:
Representa o Emblema do Aprendiz, ao qual cabe a obrigação de
desvencilhar-se dos defeitos e das paixões,
para poder trabalhar na construção moral da humanidade, que é a
verdadeira obra da maçonaria.
ESCADA DE JACÓ:
Simboliza a escala da hierarquia maçônica, na qual ascendem aqueles que
pela fé e pelo esforço,
tiverem conseguido transformar a pedra bruta em pedra polida, apta à
construção da vida.
FERRAMENTAS DE TRABALHO:
O "Esquadro, o Nível e o Prumo" simbolizam as ferramentas utilizadas
pelos maçons na construção da Ordem.
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"Os selos divulgam os mais relevantes princípios e fundamentos da
Maçonaria, como o de orientar no caminho da vida, animar e sustentar o
homem em todas as dificuldades e adornar as ações, o caráter e o
espírito do Maçom. Também instrui sobre a obrigação do aprendiz em
desbastar a Pedra Bruta, desvencilhando-se dos defeitos e das paixões,
que habita, preparando-se para a construção moral da humanidade, a
verdadeira obra da Maçonaria. A ascensão dos Maçons que, pela fé e pelo
esforço, tiverem conseguido transformar a Pedra Bruta em Pedra Cúbica, é
outro aspecto valorizado pela Maçonaria e perpetuado por esta emissão."
(Laelso Rodrigues, Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil
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BICENTENÁRIO DE
GIUSEPPE GARIBALDI

Emissão:
Brasil/Uruguai, 4-7-2007
Giuseppe Garibaldi: o herói italiano que lutou no Brasil
No dia 16 de abril de 1864, o antigo general italiano Giuseppe Garibaldi
chegou em Londres rodeado pelos gritos de "Giuseppe! Giuseppe para
sempre!" O homem, na casa dos seus cinquenta anos, precisou de cinco
horas para realizar o trajeto de menos de quatro quilômetros até a
Residência Lancaster — a qual havia sido convidado de honra do duque e
da duquesa de Sutherland.
O alvoroço tinha uma explicação: Giuseppe era conhecido pelo nome de
"herói do velho e do novo mundo", um apelido angariado por suas glórias
militares no passado. Conhecido por seu nacionalismo, carisma e
liderança, o ex-militar trabalhou como uma das figuras influentes no
processo de unificação da Itália e chegou
até mesmo a lutar na Revolução Farroupilha no Brasil anos mais tarde.
Nascido em Nizza, cidade que foi da Itália e atualmente pertence à
França, em 1807, Giuseppe era filho de marinheiros de Gênova que
trabalhavam no principal porto do Reino da Sardenha. Foi por isso que
cresceu acostumado a trabalhar como aprendiz e depois como marinheiro em
navios comerciais que navegavam no Mediterrâneo e no Mar Negro.
Em uma de suas aventuras marítimas, passou a se interessar pelas ideias
políticas reformistas que começavam a se inflamar pela Europa durante o
século 19. Em uma viagem para Constantinopla (atual Istambul), na
Turquia, em 1833, o jovem italiano foi apresentado aos conceitos de
pacifismo, igualitarismo, equidade entre homens e mulheres e amor livre.
A bordo do navio mercante "Clorinda", Garibaldi decidiu que queria ser
um herói e passaria o resto da sua vida tentando mudar o destino de sua
nação. Quando retornou à Itália, entrou para o grupo La Giovine Italia
(A Jovem Itália), uma sociedade secreta formada por Giuseppe Mazzini
para promover a unificação do país.
Participação na Revolução Farroupilha
Após uma tentativa frustrada de rebelião em Gênova, Giuseppe Garibaldi
se viu obrigado a buscar refúgio em Marselha, onde descobriu que havia
sido condenado à morte. Para evitar ser caçado pela Europa, ele
continuou a viajar pelo Mediterrâneo utilizando um nome falso, até que
entrou em um navio com destino ao Rio de
Janeiro em 1836.
Em terras brasileiras, o italiano tentou se manter discreto e começou a
comercializar macarrão. Ao mesmo tempo, entretanto, passou a participar
da política do país, entrou para a maçonaria e fez amizade com o militar
e líder separatista Bento Gonçalves, quem fora nomeado presidente da
República do Rio Grande e desejava se separar do Brasil imperial.
Preso por sua rebelião, Gonçalves deu início à Revolução Farroupilha ou
Guerra dos Farrapos, conflito que perdurou entre 1835 e 1845 no Rio
Grande do Sul e em Santa Catarina. Em 1837, Giuseppe obteve uma
procuração de seu grande amigo para começar a comandar uma frota de
guerra contra a marinha brasileira.
Em entrevista para a BBC, a historiadora Maria Medianeira Padoin
ressaltou a importância do italiano no conflito armado. "Por um lado,
ele contribuiu com seu conhecimento militar, empregando táticas eficazes
de combate na água. Por outro lado, graças à sua personalidade
carismática, difundiu os seus ideais de igualdade e de luta pela
liberdade", afirmou.
Tortura e descoberta do amor
A Revolução Farroupilha rendeu a Giuseppe diversos
pontos altos e baixos. Neste meio tempo, o marinheiro foi capturado e
torturado, naufragou sua embarcação, mas também conheceu o amor da sua
vida Anna Maria Ribeiro da Silva, a revolucionária Anita Garibaldi.
Anita tinha 18 anos quando largou seu marido para se juntar ao exército
de Garibaldi em todas as campanhas militares pelo Brasil. Casaram-se em
1842 e, juntos, o casal teve três filhos: Menotti, Teresita e Ricciotti.
Em 1841, Garibaldi decidiu largar a guerra brasileira para se
estabelecer em Montevidéu, onde existia uma grande comunidade de
exilados e imigrantes italianos.
Acostumado a travar batalhas, Garibaldi também se envolveu na guerra
civil do Uruguai, um conflito diplomático com intervenção diplomática e
militar do Brasil, da França e do Império Britânico. Seu envolvimento no
entrave político foi homenageado com o primeiro monumento da guerra
civil em Montevidéu sendo dedicado a sua
passagem pelo país.
Retorno heróico à Itália
Em 1846, o Papa Pio 9 proclamou uma anistia para que os exilados
italianos retornassem para casa e Giuseppe Garibaldi enfim estava livre
para voltar ao seu país de origem ao lado de família e mais alguns
aliados que lutaram ao seu lado na América do Sul.
Entre idas e vindas pelos quatro cantos do planeta, o glorioso
estrategista foi mesmo fazer sua fama de herói nacional em 1859. Durante
esse período, Garibaldi e o exército de voluntários batizado de
"caçadores dos Alpes" saíram vitoriosos de diversas batalhas decisivas
na Segunda Guerra da Independência Italiana.
Em 1860, participou da Expedição dos Mil, um batalhão que conquistou
todo o Reino das Duas Sicílias, o que causou a dissolução e anexação da
região pelo Reino da Sardenha. Posteriormente, isso seria visto como um
grande passo para a criação do Reino da Itália.
Em 17 de março de 1861, o rei Victor Emmanuel II proclamou o nascimento
de uma nova grande nação e Garibaldi foi consagrado "herói da pátria".
Durante seus 75 anos de vida, ele foi preso nove vezes pela polícia de
diferentes países e marcou seu nome na história de todos os lugares por
onde passou. ((Fonte: Wikimedia Commons, Pedro Freitas))
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