BURUNDI


 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FILATELIA MAÇÔNICA

 


 


 LANÇAMENTO

 

País: Burundi

Motivo: Homenagem a Mozart

Imagem:  Mozart ao teclado.

Mozart nasceu em Salzburgo em 27 de janeiro de 1756, sendo batizado no dia seguinte na catedral local. O nome completo que recebeu foi Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart, e teve como padrinho Joannes Theophilus Pergmayr. Mais tarde Mozart preferiu ter seu nome Theophilus chamado em suas versões francesa ou germânica, respectivamente Amadé e Gottlieb, mais raramente a forma latina, Amadeus. Os primeiros dois nomes só foram usados em suas primeiras publicações, e adotou a forma germânica Wolfgang em vez da latina Wolfgangus. Foi o sétimo e último filho de Leopold Mozart e Anna Maria Pertl. De todas as crianças somente ele e uma irmã, Maria Anna, apelidada Nannerl, sobreviveram à infância. A família do pai era oriunda da região de Augsburgo, tendo o sobrenome sido registrado desde o século XIV, aparecendo em diversas formas diferentes - Mozarth, Motzhart, Mozhard ou Mozer. Muitos de seus membros se dedicaram à cantaria e construção, e alguns foram artistas. A família da mãe era da região de Salzburgo, composta em geral por burgueses da classe média.

Suas duas óperas derradeiras, A Flauta Mágica e A Clemência de Tito, também de grande valor, deixam intrigantes questões pendentes para os críticos, que especulam sobre aonde as inovações que introduziram poderiam tê-lo levado se tivesse vivido mais. A Flauta Mágica é o melhor exemplo do interesse de Mozart na criação de uma ópera nacional germânica, tanto em forma como em expressão, empregando o alemão como língua do libreto e realizando uma concepção expandida da forma do singspiel. Seu tema é esotérico e em parte arqueológico, e pode refletir influência de doutrinas maçônicas. Trata em resumo da vitória da luz sobre as trevas; o casal protagonista passa através de um rito de iniciação, e o final é uma alegoria do casamento da Sabedoria com a Beleza, mas a obra também tem importantes elementos de contos de fadas e de pantomima. Tecnicamente a escrita de bravura não atende a propósitos exibicionísticos, mas a dramáticos, e é bastante econômica; em vários pontos é aparente a tentativa de basear a ação mais a partir dos recursos da voz do que da coreografia dos personagens, com passagens declamatórias inovadoras, de forte qualidade dramática e coerência harmônica, traços que desencadeiam mutações imprevistas e inusitadas na estrutura geral da obra. Quanto ao Tito, é uma opera seria pura, sem interpolações cômicas, um drama político exaltando a nobreza e generosidade do imperador protagonista - uma alegoria de Leopoldo II - contra um contexto dominado por intrigas, traição, paixão, ciúme, covardia e turbulência civil. Foi composta às pressas mas representa uma evocação tardia e nobre de um gênero que já estava em extinção, assimilando em parte a influência da renovação da opera seria feita por Gluck e dando à música uma atmosfera de verdadeira tragédia clássica com sábia economia de meios, grande expressividade e uma instrumentação que apontava para o futuro. Muitos autores a consideraram na época a suma das conquistas de Mozart na opera seria.

É interessante assinalar que o tratamento das árias das suas óperas se conformava às necessidades e capacidades de cada cantor que ele dispunha. Também a forma literária do libreto lhe dava sugestões sobre como estruturar o conteúdo musical. No contexto altamente convencional da opera seria a ária é um dos elementos mais importantes, é nela onde se apresenta a maior parte do material musical de toda a composição, restando aos recitativos e coros uma quantidade muito menor. Entretanto, a ária não envolve progresso dentro do desenrolar da ação, é um número onde a ação é congelada para que o solista faça uma meditação privada sobre os eventos que aconteceram antes ou planeje uma ação futura. O movimento do drama acontece principalmente nos recitativos dialogados, onde os personagens podem interagir e levar a ação adiante. Sendo uma cena estática e de estrutura simétrica, a ária em essência é contrária ao desenvolvimento natural de um drama sempre em expansão, e o rigor da simetria impede o livre desenvolvimento da caracterização do personagem. Assim, ela exige que o compositor lhe infunda interesse dramático por outros meios, notadamente pelo acúmulo e estruturação de elementos puramente musicais. Mozart lidou com essas convenções organizando seu material sobre uma nova hierarquia de proporções, sobre uma sequencialidade temática mais coerente e consequente, e também buscando libretos que oferecessem uma dramaturgia mais dinâmica. Com isso ele conseguiu dar à retórica intrínseca à ária objetivos mais definidos e mais funcionais dentro do arcabouço mais ou menos rígido da ópera.

A Flauta Mágica foi produzida no século XVIII, período histórico em que a linha de pensamento do homem sofria uma mudança radical através do Iluminismo, ideologia que defendia o fim das superstições medievais cultivadas pela Igreja durante a Idade Média e a valorização de uma visão de mundo racional, em que a sabedoria aparece como única possibilidade de justiça e igualdade entre os homens, o que imediatamente coloca em xeque as relações de poder e subordinação da sociedade da época e a legitimidade dos aristocratas e das tiranias.

Nesse contexto, A Flauta Mágica apresenta-se como uma ópera de formação e como uma alegoria para as provações pelas quais o homem precisa passar para sair das trevas do pensamento medieval em direção da luz iluminista. Assim, as principais personagens Tamino e Pamina enfrentam os obstáculos impostos pelos membros do Templo da Sabedoria para juntos, ao final da ópera, encontrarem a realização plena e a união ideal.4

Em sua jornada, o casal conta com a ajuda de Sarastro, soberano que simboliza o homem racional que detém o poder por sua sabedoria – não pela força – e que é capaz de ser sempre justo com qualquer cidadão que busque seus conselhos. Sarastro não é a resposta para a sabedoria, mas o caminho para se chegar até ela, ao guiar o homem em sua jornada pessoal em busca da autonomia e liberdade de pensamento. Nesse sentido o personagem entra em contraste direto com a Rainha da Noite, a vilã da história que figura como tudo aquilo condenado pelo Iluminismo: a superstição, a irracionalidade, a aristocracia, a tirania e a subordinação tanto social quanto intelectual, ao ditar tudo o que seus inferiores devem ou não pensar e fazer.

A ópera também apresenta influência dos ideais da sociedade maçônica(maçonaria- religião) – da qual se sabe que Mozart e Schikaneder faziam parte –, principalmente no que diz respeito ao ritual de iniciação pela qual passam Tamino e Pamina, composto de diversas provas (tal qual o ritual de iniciação maçônico) que testam o amor e a persistência do casal, recebido sob as bênçãos de toda a fraternidade do Templo da Sabedoria ao final da história.

Criação

A ópera foi o resultado de um período de crescente envolvimento de Mozart com a trupe de teatro de Schikaneder, que desde 1789 atuava no Theater auf der Wieden. Mozart era amigo íntimo de um dos cantores-compositores do grupo, o tenor Benedikt Schack (o primeiro Tamino), e contribuiu diversas vezes com composições para a trupe. A participação de Mozart aumentou com a ópera colaborativa Der Stein der Weisen ("A Pedra Filosofal"), incluindo o dueto (Nun liebes Weibchen, K. 625/592a), e acabou levando à composição da Flauta Mágica em 1791. Enquanto Schikaneder se propôs a escrever o libreto da peça, Mozart ficou responsável por sua melodia.

Sabe-se que Schikaneder buscou inspiração para a história da Flauta Mágica em outras fontes, entre elas o conto de fadas Lulu oder Die Zauberflöte, escrito por Christoph Martin Wieland e publicado na coleção Dschinnistan entre 1786 e 1789. Já os elementos mágicos da peça teriam sua origem na peça Megära, de Philipp Hafner (1763). Quanto aos rituais que remetem diretamente à maçonaria, muito forte na época, também tiveram sua base no romance Sethos, de Jean Terrasson (1731), ambientado no Egito antigo. E o tom humorístico, sobretudo do personagem Papageno, teria sua influência no teatro popular vienense.  Apesar de hoje ser considerada uma das melhores óperas do compositor austríaco, o contexto em que foi escrita não poderia ser pior para Mozart, que na época enfrentava dificuldades financeiras e sentia-se deprimido com a distância de sua esposa, que esperava mais um filho seu em Baden, na Alemanha. Assim, comenta, um pouco inseguro sobre a ópera:

Se ela resultar em um fiasco, não posso fazer nada a respeito, pois nunca compus uma ópera mágica.

Mozart compôs a Flauta Mágica tendo em mente a habilidade dos cantores que deveriam se apresentar na noite de estreia, que incluíam tanto virtuosi quanto atores de comédia comuns, chamados para cantar na ocasião. Desse modo, as linhas vocais de Papageno e Monostatos eram primeiro apresentadas por instrumentos de corda, para que seus intérpretes pudessem encontrar o tom certo das músicas. No papel mais difícil da ópera, o da Rainha da Noite, Mozart escolheu sua cunhada, Josepha Hofer, que podia alcançar as difíceis notas altas exigidas pelo papel, particularmente presentes na ária "Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen", tão conhecida até mesmo entre o público não familiarizado com o trabalho de Mozart.

Apesar do tom solene, devido em grande parte à temática simbólica da peça, A Flauta Mágica também apresenta elementos do humor folclórico do Singspiel alemão, gênero musical típico da época, cuja maior característica era o diálogo falado, ao invés de cantado, e a presença de alguns personagens da comédia popular (Papageno e Papagena).

 




Valor Facial: 7.500f

Data da Emissão: 2013
 

 

 
 
 
 

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