CLUBE FILATÉLICO MAÇÔNICO DO DISTRITO FEDERAL
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fundada em 16 de fevereiro de 2004
 

 

 

ARTIGOS   E   DICAS  DE  FILATELIA

 

 


 

 

 

 
Como organizar uma coleção Temática
Ana Lúcia Loureiro Sampaio
Filatélica Penny Black

Existem várias formas de organizar uma coleção temática. A mais simples de todas, é separando os selos por países e colocando os países em ordem alfabética e dentro de cada país, arrumando os selos em ordem cronológica de emissão. Esta maneira de organizar, é na verdade apenas uma forma para guardar os selos em ordem até o momento de parar e pensar propriamente na montagem definitiva da coleção.
Dependendo do assunto escolhido é que irá se criar o roteiro , que nada mais é do que um guia ou um enredo que servirá de base para o desenvolvimento da coleção.Tomemos como exemplo a fauna que é muito ampla e pode ser vista sob diversos aspectos. Poderíamos simplesmente pensar em colecionar selos de animais e ir juntando tudo indiscriminadamente. Não deixa de ser uma coleção de fauna e, muitos dos grandes colecionadores assim a fazem, fica muito bonita, é riquíssima, mas não tem aquele aspecto original e criativo que irá revelar o espírito do colecionador. Uma coleção feita desta forma é interminável e muito cara, pois o objetivo principal do colecionador é possuir todos os selos emitidos sobre fauna pôr todos os países. São bem poucos os que podem e conseguem fazê-la com êxito tanto devido ao custo altíssimo em que implica, como também devido a dificuldade de conseguir determinados selos.
Assim para adequar a coleção as medidas do possível, os roteiros limitam as aquisições apenas ao que se quer abordar. Os gastos serão bem menores, porém os estudos, as pesquisas e as buscas irão exigir mais esforços do colecionador. Na fauna o colecionador poderá optar por montar uma coleção mais científica dando a seqüência de toda divisão dos animais por espécies. Não precisará ter todos os selos emitidos sobre fauna, mas deverá ter exemplos bons e bem definidos de todas as espécies. Um bom livro de biologia é imprescindível neste trabalho.
Não é fácil, mas vale a pena. Outra forma de abordar a fauna de maneira científica é formando uma cadeia ecológica com os vários níveis de predadores. Ou, então, uma cadeia evolutiva, a partir dos animais pré-históricos.
Pode-se também ver a fauna sob o aspecto geográfico, dissertando com selos sobre os animais dos cinco continentes e dando características de seus habitats naturais.Uma forma romântica de abordar a fauna seria explorar o relacionamento do homem com os animais, os úteis, os nocivos, os animais de estimação, os mitos, etc.
Também podemos tomar uma única espécie e estudá-la em todos os seus aspectos. Por exemplo: o gato e a partir dele fazer sua cadeia evolutiva, sua cadeia ecológica suas várias espécies de acordo com as diversas regiões, seu significado na vida do homem e assim por diante, fica uma coleção interessantíssima. Pode-se fazer o mesmo tipo de coleção com qualquer espécie de animal.
Podemos escolher um outro assunto, como a pintura, por exemplo e abordá-la de uma maneira histórica, com a sucessão das várias fases que predominaram no transcorrer da história do homem. Ou pode-se estudar os grandes mestres e suas obras. Ou fazer uma análise de uma única escola. Ou então uma comparação da pintura nos diversos países. Há pintores que sozinhos já dão uma coleção maravilhosa, como Rubens que teve muitas emissões em sua homenagem.
O colecionador deve escolher um tema sobre o qual tenha algum domínio ou que lhe seja familiar, para saber pelo menos de onde partir em sua pesquisa. Geralmente as pessoas escolhem temas mais ou menos ligados a sua profissão ou a algum elemento especial de sua predileção. Se o colecionador enveredar por um caminho que lhe é totalmente desconhecido ou que não seja exatamente aquilo que gosta, só porque a coleção pode ser bonita ou está na moda, a pesquisa torna-se enfadonha, a escolha dos selos, como também as dificuldades de estudo e entendimento serão muitas e todo o prazer de colecionar será anulado.
É importante também que se tenha uma noção mínima da quantidade de material existente e que se poderá obter para montar a coleção. Não adianta querer colecionar algo cuja emissão seja muito restrita e nem exista emissão de selos com elementos coligados. Antes de começar a desenvolver qualquer tema é preciso folhear os catálogos e fazer um levantamento dos selos que poderão ser utilizados. Será muito difícil também pretender que para ilustrar este ou aquele aspecto da coleção seja usado determinado selo que foi encontrado no catálogo e sair a procura dele, ignorando os demais selos que também podem servir. Devem existir muitas opções, pois as vezes durante uma vida inteira de procura não se pode encontrar um selo que se queira, principalmente se é antigo e de algum país meio fora do comum e pouco colecionado. Ninguém vai manter estoques de países que não fazem parte da preferência geral da maioria dos colecionadores, para atender em uma ou outra ocasião, a procura de um selinho. É materialmente impossível e economicamente inviável!
O ideal é o colecionador ir juntando todo o material que possa servir a sua forma de abordagem para depois pensar em como desenvolver o tema. Não é fazer como alguns que primeiro fazem um roteiro e só depois é que saem a procura dos selos para ilustrá-lo é evidente que não irá encontrar quase nada do que precisam e acabará fazendo uma coleção acanhada e sem graça. A palavra coleção é um coletivo e coletivo significa quantidade, assim sendo, quanto mais selos e facetas se puder acrescentar a uma coleção muito melhor e mais bonita ela ficará. Coisas muito medidas dão idéia de pobreza. Não condiz com o belo, que é o que se procura numa coleção.
Por mais familiarizado que esteja o colecionador com o tema escolhido, o estudo e a pesquisa são imprescindíveis para que se possa fazer um bom trabalho. Colecionar é acrescentar não é só ter uma porção de selos. É acrescentar o espírito e o conhecimento à coleção e acrescentar a coleção ao próprio espírito e conhecimento crescendo junto com ela. No começo pode parecer difícil, mas depois do impacto inicial as idéias irão fluindo naturalmente e a coleção irá acontecendo como que por magia.
Não é bom ir acumulando, acumulando, para começar a montagem um dia quando houver tempo para fazer tudo de uma vez. Esse dia jamais chegará, sempre haverá alguma coisa mais importante que precisa ser feita antes. O trabalho fracionado é milagroso! Um pouquinho a cada dia, com hora marcada e método. Que se faça uma única folha ou mesmo meia folha por dia e quando menos esperamos estamos com um álbum maravilhoso já feito. Para este trabalho de ir fazendo as folhas, o computador é um aliado fantástico, tem mil e um recursos que nos permitem fazer coisas lindas. Mas na falta de um computador, régua, esquadro, canetas de desenho e uma máquina de escrever também resolvem e fazem bonito.
Quem estiver montando uma coleção para concorrer nas exposições oficiais, terá que obedecer a determinadas regras, que vão desde a escolha dos selos e peças filatélicas que serão usadas, até as medidas e qualidade do papel para a montagem. Uma das regras principais é no que diz respeito aos textos que devem ser mínimos. O roteiro deverá ser contado inteirinho com selos sendo permitidas umas poucas palavras para explicar ou destacar melhor alguma coisa. Este tipo de coleção temática é muito difícil de ser feita, é preciso muita prática e conhecimento. Quando porém a coleção é feita para o próprio prazer ou para mostras em escolas , clubes e exposições não oficiais, aí, a liberdade é total. Deve , porém, haver um equilíbrio entre texto e selos e peças filatélicas, predominando sempre a menor quantidade de textos.
Aliás. os textos mais sintéticos são mesmo melhores, provocam mais impacto e aguçam a curiosidade. Mas deve haver texto. A distribuição do texto na página, também a faz mais bonita, quebra a monotonia. Se houver uma página em que foi preciso usar muito texto e poucos selos, a seguinte deverá conter muitos selos e pouquíssimo texto. Os tópicos devem ser bem explicados e ilustrados, o encadeamento dos tópicos deverá ter uma seqüência lógica. Deve ter começo, meio e fim. Deve começar com uma proposição, ter uma explanação que poderá ou não se abrir como um leque, mas deverá sempre terminar com uma conclusão, amarrando o assunto. É claro, que o principiante deverá fazer tudo de forma bem simples e resumida e depois, com a prática e a experiência adquirida poderá partir para uma coleção mais complexa. O importante é começar.

A Filatelia Temática está intimamente ligada às ciências. É impossível pensar em fazer uma coleção temática, sem ao menos saber os princípios básicos do que se vai colecionar. Não dá para desenvolver um tema, se não soubermos o que esse tema realmente é e tudo que lhe diga respeito em relação ao universo em que vivemos.
Uma criança pequena pode separar seus selos de fauna rudimentarmente aves de um lado, mamíferos de outro, insetos para cá, peixes para lá, orientada apenas pelo que vê. nem podemos dar muito palpite ou tentar ensinar coisas que ainda estão fora do alcance de sua maturidade. Entretanto, um adolescente já deve se preocupar em ir mais a fundo em sua pesquisa, para poder montar melhor a sua coleção e um adulto deverá ser mais exigente ainda consigo mesmo para tornar sua coleção algo de que possa se orgulhar e sentir o prazer da realização.
Tentando ajudar, exemplificando um pouco melhor, pesquisei um tema e aqui o exponho. Não é obrigatório que a pesquisa seja tal e qual a minha, cada um deve fazer como achar melhor, com seu próprio gosto, estilo e método. Como estamos no Ano Internacional da Preservação e Estudo dos Oceanos, vou então abordar este assunto da forma como de deve abordar qualquer outro tema.
Primeiro passo: O que são oceanos? Oceanos são massas líquidas contínuas que cobrem aproximadamente 71% da superfície da Terra e compreendem cerca de 97% da água do planeta. Aqui pode-se colocar selos que mostrem o globo terrestre, onde se possa ver oceanos e continentes para se ter uma noção das proporções mencionadas.
Segundo passo: Qual a é a importância dos oceanos em nosso universo? Os oceanos fornecem ao homem: alimento, substâncias químicas e minerais e são usados como vias de transporte. Atuando como reservatório de energia solar, atenuam os efeitos dos extremos de temperatura em grande parte do mundo. Juntamente com a Atmosfera, determinam em boa medida o clima terrestre. Aqui há uma infinidade de selos que podem mostrar tudo isso, é só pensar um pouco.: peixes, moluscos, crustáceos, plânctons , vegetação, clima, embarcações, etc.
Terceiro passo: como são os oceanos? Os oceanógrafos em geral consideram os oceanos da Terra como um único grande oceano. Geograficamente, porém, são divididos em unidades menores: os oceanos Atlântico, Pacífico, Índico, Ártico e Antártico. O oceano Ártico é muitas vezes considerado como parte do Atlântico e o Antártico como parte do Atlântico, pacífico e Índico. O pacífico é o mais extenso e em média o mais profundo. O Atlântico, contudo, banha uma linha costeira muito maior. Aqui os selos com o planisfério, mapas náuticos, continentes e tudo o que possa mostrar melhor a localização dos oceanos e a sua relação com as terras que banham.
Quarto passo: Qual a ciência que estuda os oceanos? A Oceanografia é a ciência, ou melhor dizendo o conjunto de ciências que estudam todos os aspectos referentes aos oceanos e mares. Visa obter informações úteis à navegação; explorar a flora e a fauna marítimas; estudar a topografia do fundo dos oceanos; determinar as condições físicas de um determinado meio marinho ( pressão, limite de penetração dos raios solares, distribuição da temperatura, composição química); estudar as correntes oceânicas. Neste estágio há uma infinidade de selos que podem ser bem aproveitados e é bom não deixar de mencionar o príncipe Albert de Mônaco que foi um dos grandes patronos do desenvolvimento da oceanografia e Jacques Coustaux o maior e o mais dedicado de todos os oceanógrafos.
Quinto passo: Quais os meios e instrumentos usados pela oceanografia? Os mais modernos mapas do assoalho oceânico são compilados pelo uso de ecômetros. O estudo da composição das rochas do fundo do mar é feito com o uso de dragas e especialmente de brocas ocas que trazem núcleos de rochas à superfície. As correntes marítimas são estudadas com o uso de bóias, ou deixando-se um navio à deriva. Informações sobre a profundeza do mar são obtidas pela observação direta, (com o auxilio dos batiscafos e batisferas) ou pelo estudo de ondas sísmicas. Para tudo isso também tem selo, pois há muita coisa já emitida sobre esses aparelhos, mergulhos e trabalhos de medição. E há mais, muito e muito mais para ser explorado com riqueza de detalhes para que se possa fazer uma coleção não apenas bonita, mas também erudita. É só espantar um pouco a preguiça e começar a pesquisar, que o entusiasmo chega e depois, a sensação de estar fazendo a coisa certa é o que há de melhor nisso tudo. A cada passo vamos crescendo um pouco mais junto com a nossa coleção.




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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